29/07/2009

constatação

acho que todas as postagens deste blog surgiram nos momentos de procrastinação.

procrastinar

quando você procrastina, resolve:

cortar as unhas;
arrumar a mesa;
colar coisas na parede;
guarda as roupas espalhadas;
tomar um copo d'água;
fazer um café;
comer alguma coisa;
dar uma olhadinha pela janela;
dar uma olhadinha naquele livro;
traduzir um trecho de algum livro legal;
ir ao banheiro;
viajar pela internet;
fazer listas do que precisa fazer;
fazer cálculos do tempo que precisa para fazer a coisa procrastinada;
ver fotos antigas;
olhar as gavetas;
arrumar a cama;
lavar a louça;
responder a e-mails antigos;
conversar no skype;
pesquisar coisas no google;
pensar em tudo que falta na sua casa;
pensar em tudo que falta na sua vida;
sentir sono;
sentir vontade de ir ao cinema ou ver um filme na tv;
baixar as fotos da câmera no computador;
se sentir deprimida porque está procrastinando;
buscar dicas na internet de como não procrastinar;
buscar dicas na internet de como arrumar as coisas no seu escritório, para trabalhar melhor;
escrever no caderninho;
escrever no blog há muito abandonado.

(suspiro)

03/07/2009

outra coisa

I should be doing something else.
o pensamento procrastinador.
Mas que segue
sempre do mesmo jeito.

"Deveria" estar fazendo outra coisa,
deveria ter adiantado,
deveria ter terminado,
não deveria ter pêgo.

shoulds and woulds.
não fazer (ou: fazer outra coisa) impera.
o bom procrastinador sempre arruma outra coisa a fazer,
além do que DEVERIA estar fazendo (ou já ter feito).

O gozo da delonga,
o sofrer com a proximidade dos prazos
e a incompletude das tarefas que DEVERIAM ter sido cumpridas

Mas o que deve ou não deve,
ninguém sabe.
só procrastinador,
ele sabe que DEVERIA estar fazendo outra coisa...

27/03/2009

modus operandis

"someday
when I'm awfully low
when the world is cold"

como regrar um dia
de tantas horas?
17 horas acordada
que podem ser usadas para tudo
ou para nada
qualquer coisa
ou nenhuma sequer

o tempo pode escorrer sozinho
três horas fazendo o quê?
passando, passando

ajeitar o tempo ao seu conforme
ordenar as minhas horas
meus dias
minhas noites de sono

viver de dia, mais do que à noite?
sempre me pareceu que deveria ser o contrário.

mas os animais noturnos
ficam restringidos ao canto escuro
nocturama: tem poucos amigos.

sair, por fim, dessa escuridão.

23/02/2009

seg

um segundo de palavra
antes da bateria acabar

aqui, a energia acaba o tempo todo.

13/02/2009

ser e não estar

ou melhor, estar e não ser

em algum outro lugar
tão longe, vazio
hora dentro da outra
e mais vazio

"só vale quem é ativo",
diz o escritor de Origem
ou melhor, o avô dele

sem muito valor agora, portanto.

de que adianta indignar-se com uma situação
se parece que me encostei nela
parada. para nada
de casa para casa
sem vontade de sair

flutuo em ideias de começar algo
mas nada parece atingível agora

hora dentro de hora eu poderia
começar
agir
fazer
produzir

e nada, para nada
parada, aqui.

10/02/2009

ter tempo

ter todo o tempo do mundo
e sentir-se espremida contra ele
oprimida pelas horas e horas a fio
pela imensidão desse espaço temporal
que se fez depois de muito

tanto tempo e parece tão pouco
o que consigo fazer nele

horas deslocadas
mais para o oriente
sete horas e meia para frente

meu corpo parece continuar
no horário do hemisfério sul
no gmt -2
e não no gmt +5.5

16/12/2008

instante

como tudo pode
se desfazer
dentro de um instante
o ínfimo momento
em que algo quebra
parte em milhares
de minúsculos pedaços
irrisórios
e não junta mais...
até que?
será possível, ainda,
reuni-los?

11/12/2008

Férias

Melanina
Embala o corpo
Com tom de verão

O dia se esvai
Na tênue linha
Que risca o céu
Do mar.

plâncton

Olhe para dentro
Das idéias flutuantes
Olhe mais de perto
E busque os pontos
De luz fluorescente

sem falo

Não fala a mulher

Sem o falo.

Nada pode,

Recolhida.

A fome feminina

É de engolir inteiro,

Sem mastigar.

No silêncio.

04/11/2008

maus-hábitos

círculo das não-vaidades
tudo conflui para um corpo pouco sadio
talvez se eu fumasse, não me fizesse tão mal
tanto quanto fazem os meus maus-hábitos

ultrapasso sempre o limite do sono
o limite do peso
do cuidado com meu corpo
e, por outro lado, tenho tanto medo de machucá-lo
temo qualquer vacina
qualquer injeção
qualquer dor física, a mais ou a menos

temo me arrebentar inteira e perder a mobilidade
temo que o avião caia comigo dentro
sou apenas temores com o corpo

e se eu tiver uma doença silenciosa
que me mate de dor daqui a um tempo?

tudo que fragiliza meu corpo me apavora
a minha pele em frangalhos
a cabeça que teima em continuar descamando.
sinto pavor desse sintoma físico, pavor.

agora resolvi não mais lutar contra a minha ansiedade
mas sim nocauteá-la, entendê-la, ela que me incita essa gula desmedida
esse afã de enfiar comida em mim.

eu hei de vencer meu corpo, minha não-vontade, com vontade.

afe...

07/07/2008

se tudo pode ser tão intenso
então, por que não?

07/05/2008

a casa

a casa colorida
sonhei com essa casa
de paredes vermelhas
laranjas. talvez até amarelas
a casa de teto alto
com a larga mesa, madeira clara.
casa meio do méxico,
pareceu.
a casa flutuava de tanta leveza.
tanta casa
tanta gente
tanta coisa.
risos, lembranças.
coisas criadas, antes.
o que antes pôde ser leve.
o que pôde.
eu flanava no sentimento dessa casa.
um abraço
atrás de mim. um beijo, na nuca.
nunca, poderia pensar. como?
apenas leve. releve, bem mais leve.
um beijo e um abraço.
e flutuar. na casa colorida,
de paredes mexicanas.
e a grande mesa,
todo mundo em volta.
teto alto. sorriso largo.

riliz

just release your release
liberte-se
liberte-se de tudo
release your releases
release and relax
liberte-se de uma vez
be a man
livre-se do riliz
release yourself
release your riliz
go ease on the release
go

20/02/2008

percepçao

só agora percebo
que o ser é mesmo só.
que, no frigir dos ovos,
sou eu comigo mesma,
e mais ninguém.
que não importa a expectativa
o olhar do outro
o desejo de ser
o que o outro deseja de mim.
tenho de me encarar
só, de cara,
com minha cara.
eu e minha cara vida.
e só, percebo,
como estou sozinha.

07/02/2008

depois

todos aquelas coisas que deixo para depois.

como: dormir (o que faço nesse exato momento)
escovar os dentes logo que chego do almoço
certas ligações
certas cartas
certas mensagens
certos convites
planos
viagens
falas
trabalhos
livros
conversas
falas
poemas por escrever.
melancolia pode ser um bom consolo para uma vida sem graça.

será?

forte

são aqueles dias
quando parece que uma mão
vem, se enfia pela garganta,
agarra o coração e o arranca
de uma só puxada.

forte, certeira
e você sente cada artéria ligada a ele descolar-se
arrebentando todos os seus vasos pulsantes.
e a sua garganta fecha. você engole seco.
tudo no peito fica mexido. as entranhas latejantes.

isso, você poderia pensar, é um dia mais triste do que os outros.

04/12/2007

dança

Dançar
só, no meio da noite
com música solitária
Apenas paea mim
contida em meus ouvidos
poupando os vizinhos que dormem.
Dançar
no descontrole
quando ninguém olha.
Suar
até me desfazer.
Meu reflexo dançante
no vidro da janela.
Talvez alguém espie
essa dança noturna.
Em vez do suor do gozo,
um outro transpirar.
A dança solitária
quando ninguém olha.