04/11/2008

maus-hábitos

círculo das não-vaidades
tudo conflui para um corpo pouco sadio
talvez se eu fumasse, não me fizesse tão mal
tanto quanto fazem os meus maus-hábitos

ultrapasso sempre o limite do sono
o limite do peso
do cuidado com meu corpo
e, por outro lado, tenho tanto medo de machucá-lo
temo qualquer vacina
qualquer injeção
qualquer dor física, a mais ou a menos

temo me arrebentar inteira e perder a mobilidade
temo que o avião caia comigo dentro
sou apenas temores com o corpo

e se eu tiver uma doença silenciosa
que me mate de dor daqui a um tempo?

tudo que fragiliza meu corpo me apavora
a minha pele em frangalhos
a cabeça que teima em continuar descamando.
sinto pavor desse sintoma físico, pavor.

agora resolvi não mais lutar contra a minha ansiedade
mas sim nocauteá-la, entendê-la, ela que me incita essa gula desmedida
esse afã de enfiar comida em mim.

eu hei de vencer meu corpo, minha não-vontade, com vontade.

afe...

07/07/2008

se tudo pode ser tão intenso
então, por que não?

07/05/2008

a casa

a casa colorida
sonhei com essa casa
de paredes vermelhas
laranjas. talvez até amarelas
a casa de teto alto
com a larga mesa, madeira clara.
casa meio do méxico,
pareceu.
a casa flutuava de tanta leveza.
tanta casa
tanta gente
tanta coisa.
risos, lembranças.
coisas criadas, antes.
o que antes pôde ser leve.
o que pôde.
eu flanava no sentimento dessa casa.
um abraço
atrás de mim. um beijo, na nuca.
nunca, poderia pensar. como?
apenas leve. releve, bem mais leve.
um beijo e um abraço.
e flutuar. na casa colorida,
de paredes mexicanas.
e a grande mesa,
todo mundo em volta.
teto alto. sorriso largo.

riliz

just release your release
liberte-se
liberte-se de tudo
release your releases
release and relax
liberte-se de uma vez
be a man
livre-se do riliz
release yourself
release your riliz
go ease on the release
go

20/02/2008

percepçao

só agora percebo
que o ser é mesmo só.
que, no frigir dos ovos,
sou eu comigo mesma,
e mais ninguém.
que não importa a expectativa
o olhar do outro
o desejo de ser
o que o outro deseja de mim.
tenho de me encarar
só, de cara,
com minha cara.
eu e minha cara vida.
e só, percebo,
como estou sozinha.

07/02/2008

depois

todos aquelas coisas que deixo para depois.

como: dormir (o que faço nesse exato momento)
escovar os dentes logo que chego do almoço
certas ligações
certas cartas
certas mensagens
certos convites
planos
viagens
falas
trabalhos
livros
conversas
falas
poemas por escrever.
melancolia pode ser um bom consolo para uma vida sem graça.

será?

forte

são aqueles dias
quando parece que uma mão
vem, se enfia pela garganta,
agarra o coração e o arranca
de uma só puxada.

forte, certeira
e você sente cada artéria ligada a ele descolar-se
arrebentando todos os seus vasos pulsantes.
e a sua garganta fecha. você engole seco.
tudo no peito fica mexido. as entranhas latejantes.

isso, você poderia pensar, é um dia mais triste do que os outros.

04/12/2007

dança

Dançar
só, no meio da noite
com música solitária
Apenas paea mim
contida em meus ouvidos
poupando os vizinhos que dormem.
Dançar
no descontrole
quando ninguém olha.
Suar
até me desfazer.
Meu reflexo dançante
no vidro da janela.
Talvez alguém espie
essa dança noturna.
Em vez do suor do gozo,
um outro transpirar.
A dança solitária
quando ninguém olha.

penumbra

Escrevo na penumbra
palavras em vigília.
A fumaça na noite me atrai,
faz a necessidade
de algo se produzir.
A escrita aparece
nessa hora cansada,
nessa hora estendida
que impede adormecer.
Algo me move a prolongar
o sofrimento do cansaço por vir.
A hora escura,
silenciosa, solitária
desperta algum movimento
além do dia,
além do mesmo.
Respira.

30/10/2007

pardal

De Kooning

em julho, eu dizia que queria mesmo ser pardal.
e então descubro que pardal, piaf, tudo a mesma coisa.

um pardal dolorido, la môme piaf. que este destino reumático me escape, espero.
mas apenas uma dor tão grande pode resultar numa voz tão forte, tão potente, tão vibrante.

olhos abertos (bem)

com o olhar aberto
para dentro
para a dor

o que não se sabe dizer.
e o medo de saber
o medo de ver
o que não se quer

saber de mim
o que evito descobrir
longe de mim
londe de nós
modo de usar
modo de sobreviver

15/10/2007

quase

quase cai
mas não cai

quase vai
mas deixa de ir

quase fica
mas desiste, e parte

quase pode
mas impede

se impede
não pode
não deixa
não quer

morreu.

06/07/2007

outsider

escrever na hora fria
no vazio da noite
de cada noite minha

escrever no limite
de não fazer o resto
aquilo que precisa ser feito

gastar e regastar o limite da noite
quando é mais silencioso
quando ninguém vê
(então, viro parda)

mas queria virar pardal
na liberdade da noite
não ter hora de vôo
fora do expediente

20/06/2007

depois do buraco

um silêncio na escrita. desde quando? desde que as coisas (coisas?) mudaram de lugar.

desloquei o eixo
novo horizonte
outro marco.
marco 19. 21. 43.
mas não zero.

sem dar jeito, porém
nas mudanças que continuam na fila
a fila interminável
de imutabilidades

e aí, continuo sem saída.
dores de barriga e pele em frangalhos.

a dúvida que não ajuda.
nem resolve. (e eu continuo a escrever aqui)

01/05/2007

cummings

para não esquecer, estas palavras:

i like my body when it is with your

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric furr, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

de & (1925)

e. e. cummings

o que move

(modigliani)


lua gigante, redonda, no céu
mas não posso dizer
não faz frio, nem calor demais
e ainda não posso dizer
acaba o feriado e nada resta a ser feito
não posso dizer, mesmo assim
as músicas são todas apropriadas
e é impossível, não importa, dizer
não estou muito triste, tão pouco feliz
e nada, nada, me move a dizer
poderia chamar a qualquer momento
poderia escrever
ou mesmo mandar uma mensagem, curta
mas tudo trava na hora de dizer
e se a hora chegasse
se eu fizesse tudo para isso, tudo o que posso
(e sei que posso fazer)
não seria uma questão de poder, mas de saber
devo, enfim, dizer?

05/03/2007

reading back

quando volto e leio o que já escrevi
me sinto a mais de tola de todos os tolos

o bom do virtual (provisório, sempre provisório) é que dá para apagar.
o real é mais difícil

notícias no novo ano

inaugurando um pouco tarde isto aqui
notas do novo ano quase velho
já passou um bocado de 2007
mas eu tinha de soltar algo

às vezes, a gente precisa de mais tempo do que imagina
mas demora tanto para passar

10/11/2006

mais

escrever mais alguma coisa, e já são 4 e 3 minutos.

seria possível tão somente dormir e acordar e poder continuar dormindo até o sono acabar. quando acaba tanto sono, de vez?

as horas perdidas madrugada adentro. Madrigal será elogio? em alguma instancia possível? a merda do laptop... Trazemos todo esse mundo para cama. E ele é tão gelado.