03/07/2009

outra coisa

I should be doing something else.
o pensamento procrastinador.
Mas que segue
sempre do mesmo jeito.

"Deveria" estar fazendo outra coisa,
deveria ter adiantado,
deveria ter terminado,
não deveria ter pêgo.

shoulds and woulds.
não fazer (ou: fazer outra coisa) impera.
o bom procrastinador sempre arruma outra coisa a fazer,
além do que DEVERIA estar fazendo (ou já ter feito).

O gozo da delonga,
o sofrer com a proximidade dos prazos
e a incompletude das tarefas que DEVERIAM ter sido cumpridas

Mas o que deve ou não deve,
ninguém sabe.
só procrastinador,
ele sabe que DEVERIA estar fazendo outra coisa...

27/03/2009

modus operandis

"someday
when I'm awfully low
when the world is cold"

como regrar um dia
de tantas horas?
17 horas acordada
que podem ser usadas para tudo
ou para nada
qualquer coisa
ou nenhuma sequer

o tempo pode escorrer sozinho
três horas fazendo o quê?
passando, passando

ajeitar o tempo ao seu conforme
ordenar as minhas horas
meus dias
minhas noites de sono

viver de dia, mais do que à noite?
sempre me pareceu que deveria ser o contrário.

mas os animais noturnos
ficam restringidos ao canto escuro
nocturama: tem poucos amigos.

sair, por fim, dessa escuridão.

23/02/2009

seg

um segundo de palavra
antes da bateria acabar

aqui, a energia acaba o tempo todo.

13/02/2009

ser e não estar

ou melhor, estar e não ser

em algum outro lugar
tão longe, vazio
hora dentro da outra
e mais vazio

"só vale quem é ativo",
diz o escritor de Origem
ou melhor, o avô dele

sem muito valor agora, portanto.

de que adianta indignar-se com uma situação
se parece que me encostei nela
parada. para nada
de casa para casa
sem vontade de sair

flutuo em ideias de começar algo
mas nada parece atingível agora

hora dentro de hora eu poderia
começar
agir
fazer
produzir

e nada, para nada
parada, aqui.

10/02/2009

ter tempo

ter todo o tempo do mundo
e sentir-se espremida contra ele
oprimida pelas horas e horas a fio
pela imensidão desse espaço temporal
que se fez depois de muito

tanto tempo e parece tão pouco
o que consigo fazer nele

horas deslocadas
mais para o oriente
sete horas e meia para frente

meu corpo parece continuar
no horário do hemisfério sul
no gmt -2
e não no gmt +5.5

16/12/2008

instante

como tudo pode
se desfazer
dentro de um instante
o ínfimo momento
em que algo quebra
parte em milhares
de minúsculos pedaços
irrisórios
e não junta mais...
até que?
será possível, ainda,
reuni-los?

11/12/2008

Férias

Melanina
Embala o corpo
Com tom de verão

O dia se esvai
Na tênue linha
Que risca o céu
Do mar.

plâncton

Olhe para dentro
Das idéias flutuantes
Olhe mais de perto
E busque os pontos
De luz fluorescente

sem falo

Não fala a mulher

Sem o falo.

Nada pode,

Recolhida.

A fome feminina

É de engolir inteiro,

Sem mastigar.

No silêncio.

04/11/2008

maus-hábitos

círculo das não-vaidades
tudo conflui para um corpo pouco sadio
talvez se eu fumasse, não me fizesse tão mal
tanto quanto fazem os meus maus-hábitos

ultrapasso sempre o limite do sono
o limite do peso
do cuidado com meu corpo
e, por outro lado, tenho tanto medo de machucá-lo
temo qualquer vacina
qualquer injeção
qualquer dor física, a mais ou a menos

temo me arrebentar inteira e perder a mobilidade
temo que o avião caia comigo dentro
sou apenas temores com o corpo

e se eu tiver uma doença silenciosa
que me mate de dor daqui a um tempo?

tudo que fragiliza meu corpo me apavora
a minha pele em frangalhos
a cabeça que teima em continuar descamando.
sinto pavor desse sintoma físico, pavor.

agora resolvi não mais lutar contra a minha ansiedade
mas sim nocauteá-la, entendê-la, ela que me incita essa gula desmedida
esse afã de enfiar comida em mim.

eu hei de vencer meu corpo, minha não-vontade, com vontade.

afe...

07/07/2008

se tudo pode ser tão intenso
então, por que não?

07/05/2008

a casa

a casa colorida
sonhei com essa casa
de paredes vermelhas
laranjas. talvez até amarelas
a casa de teto alto
com a larga mesa, madeira clara.
casa meio do méxico,
pareceu.
a casa flutuava de tanta leveza.
tanta casa
tanta gente
tanta coisa.
risos, lembranças.
coisas criadas, antes.
o que antes pôde ser leve.
o que pôde.
eu flanava no sentimento dessa casa.
um abraço
atrás de mim. um beijo, na nuca.
nunca, poderia pensar. como?
apenas leve. releve, bem mais leve.
um beijo e um abraço.
e flutuar. na casa colorida,
de paredes mexicanas.
e a grande mesa,
todo mundo em volta.
teto alto. sorriso largo.

riliz

just release your release
liberte-se
liberte-se de tudo
release your releases
release and relax
liberte-se de uma vez
be a man
livre-se do riliz
release yourself
release your riliz
go ease on the release
go

20/02/2008

percepçao

só agora percebo
que o ser é mesmo só.
que, no frigir dos ovos,
sou eu comigo mesma,
e mais ninguém.
que não importa a expectativa
o olhar do outro
o desejo de ser
o que o outro deseja de mim.
tenho de me encarar
só, de cara,
com minha cara.
eu e minha cara vida.
e só, percebo,
como estou sozinha.

07/02/2008

depois

todos aquelas coisas que deixo para depois.

como: dormir (o que faço nesse exato momento)
escovar os dentes logo que chego do almoço
certas ligações
certas cartas
certas mensagens
certos convites
planos
viagens
falas
trabalhos
livros
conversas
falas
poemas por escrever.
melancolia pode ser um bom consolo para uma vida sem graça.

será?

forte

são aqueles dias
quando parece que uma mão
vem, se enfia pela garganta,
agarra o coração e o arranca
de uma só puxada.

forte, certeira
e você sente cada artéria ligada a ele descolar-se
arrebentando todos os seus vasos pulsantes.
e a sua garganta fecha. você engole seco.
tudo no peito fica mexido. as entranhas latejantes.

isso, você poderia pensar, é um dia mais triste do que os outros.

04/12/2007

dança

Dançar
só, no meio da noite
com música solitária
Apenas paea mim
contida em meus ouvidos
poupando os vizinhos que dormem.
Dançar
no descontrole
quando ninguém olha.
Suar
até me desfazer.
Meu reflexo dançante
no vidro da janela.
Talvez alguém espie
essa dança noturna.
Em vez do suor do gozo,
um outro transpirar.
A dança solitária
quando ninguém olha.

penumbra

Escrevo na penumbra
palavras em vigília.
A fumaça na noite me atrai,
faz a necessidade
de algo se produzir.
A escrita aparece
nessa hora cansada,
nessa hora estendida
que impede adormecer.
Algo me move a prolongar
o sofrimento do cansaço por vir.
A hora escura,
silenciosa, solitária
desperta algum movimento
além do dia,
além do mesmo.
Respira.

30/10/2007

pardal

De Kooning

em julho, eu dizia que queria mesmo ser pardal.
e então descubro que pardal, piaf, tudo a mesma coisa.

um pardal dolorido, la môme piaf. que este destino reumático me escape, espero.
mas apenas uma dor tão grande pode resultar numa voz tão forte, tão potente, tão vibrante.

olhos abertos (bem)

com o olhar aberto
para dentro
para a dor

o que não se sabe dizer.
e o medo de saber
o medo de ver
o que não se quer

saber de mim
o que evito descobrir
longe de mim
londe de nós
modo de usar
modo de sobreviver

15/10/2007

quase

quase cai
mas não cai

quase vai
mas deixa de ir

quase fica
mas desiste, e parte

quase pode
mas impede

se impede
não pode
não deixa
não quer

morreu.

06/07/2007

outsider

escrever na hora fria
no vazio da noite
de cada noite minha

escrever no limite
de não fazer o resto
aquilo que precisa ser feito

gastar e regastar o limite da noite
quando é mais silencioso
quando ninguém vê
(então, viro parda)

mas queria virar pardal
na liberdade da noite
não ter hora de vôo
fora do expediente

20/06/2007

depois do buraco

um silêncio na escrita. desde quando? desde que as coisas (coisas?) mudaram de lugar.

desloquei o eixo
novo horizonte
outro marco.
marco 19. 21. 43.
mas não zero.

sem dar jeito, porém
nas mudanças que continuam na fila
a fila interminável
de imutabilidades

e aí, continuo sem saída.
dores de barriga e pele em frangalhos.

a dúvida que não ajuda.
nem resolve. (e eu continuo a escrever aqui)

01/05/2007

cummings

para não esquecer, estas palavras:

i like my body when it is with your

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric furr, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

de & (1925)

e. e. cummings

o que move

(modigliani)


lua gigante, redonda, no céu
mas não posso dizer
não faz frio, nem calor demais
e ainda não posso dizer
acaba o feriado e nada resta a ser feito
não posso dizer, mesmo assim
as músicas são todas apropriadas
e é impossível, não importa, dizer
não estou muito triste, tão pouco feliz
e nada, nada, me move a dizer
poderia chamar a qualquer momento
poderia escrever
ou mesmo mandar uma mensagem, curta
mas tudo trava na hora de dizer
e se a hora chegasse
se eu fizesse tudo para isso, tudo o que posso
(e sei que posso fazer)
não seria uma questão de poder, mas de saber
devo, enfim, dizer?

05/03/2007

reading back

quando volto e leio o que já escrevi
me sinto a mais de tola de todos os tolos

o bom do virtual (provisório, sempre provisório) é que dá para apagar.
o real é mais difícil

notícias no novo ano

inaugurando um pouco tarde isto aqui
notas do novo ano quase velho
já passou um bocado de 2007
mas eu tinha de soltar algo

às vezes, a gente precisa de mais tempo do que imagina
mas demora tanto para passar

10/11/2006

mais

escrever mais alguma coisa, e já são 4 e 3 minutos.

seria possível tão somente dormir e acordar e poder continuar dormindo até o sono acabar. quando acaba tanto sono, de vez?

as horas perdidas madrugada adentro. Madrigal será elogio? em alguma instancia possível? a merda do laptop... Trazemos todo esse mundo para cama. E ele é tão gelado.

maníaca

mania de escrever e estar acordada às 4 horas da manhã; mania de não dormir o tempo necessário.

fiz a volta, fui ao bar. E estava tudo fechado. Todos foram embora (gosto de dizer 'foram' e não 'tinham ido')

tenho as palmas da mão muito secas agora. qualquer pessoa do mundo pode ler isso agora. Entre afogados e sobreviventes (plagiando o Levi). Os italianos são muito bons, alguns deles.

na noite, a esta hora, o silêncio é um hiato na cidade. Clichê? será? que triste se for.

dedos ressecados digitam palavras alcoolizadas agora, depois de alguns vários chopps e uma caipirinha de tangerina (não mexerica, que não sou deste tipo de mulher). Depois de Rousseau e sofrimentos de Wether numa aula de tradução daquelas coisas tão estranhas,no alemão, claro.

30/07/2006

pelo amor

Nas horas rudes, o diabo há.

Tem dó de nós, reles mortais. Nós que não sabemos o que buscamos, que vagamos por aí na ilusão de sonhos etéreos.

Prefiro, muitas vezes, realidade etílica. Talvez seja um risco... Mas quem poderá dizer?

Para que tanta saúde, afinal?

"tudo que é sólido desmancha no ar"


de Manuel Bandeira:

A fina , a doce tristeza
Que foi a dor do meu gozo
Deixou quebranto amoroso
Na cicatriz dolorida.

27/07/2006

na mesa

histórias de família. Relatos de passado, presente, futuro.

tantas coisas para serem escritas. Conseguimos tão pouco, afinal...

necessária uma organização de fatos, pessoas, datas, histórias e mentiras, sempre montes de mentiras (ou lendas, se preferirmos)

No fim, a alegria passa mesmo pelas tripas. Fazer das tripas coração. E o que se passa, nas famílias, são receitas e modos de sentar à mesa. Em conjunto. Comer para conviver. Comoventes convivas. E contra-parentes.

Repartir o pão e a conversa. Palavras podem ser pouco digeríveis, muitas vezes. Contudo, seguimos tentando essa compreensão entre comensais.

Nossos espíritos são mesmo gordos. E não há nada que possamos fazer quanto a isso. Por isso, seguimos comendo e falando muito sobre comida. Toda hora, todo dia, toda vez... até que algo arrebente. Então tudo será regurgitado.

21/07/2006

em tese

P. Klee

sério. na verdade não sei o que estou dizendo

ou sei muito pouco. Tenho sérias dúvidas. seríssimas.

tanto tempo e pouco tempo. para pensar e pensar e pensar. tanta vida e pouco tempo.

momento em desequilíbrio. pode ser fatal.

aquelas coisas que me matam... todas elas. Hora agonizante.

lar dos aflitos. ladeira da preguiça. recanto solidão.

atualizaçao

uma sexta-feira cansada, depois de dias e dias e dias

um após o outro, back and forth...

há tempos não escrevia nada por aqui. E venho sem grandes idéias (palavras mínimas apenas)

nem textos longos, nem poemas. O que serão?

desconexões no ar suspenso.

rede invisível de intrigas e mentiras. secrets and lies

a cor rubra das rosas murchas. passos de sangue (apagados)

26/04/2006

diagnostico

O silêncio me esmaga.
Corrói por dentro,
faz doer o estômago
e descamar a pele.
Trago comigo
uma dor incomunicável.

conclusao

Nada está enterrado.
Os mortos respiram em nós,
vivos na nossa essência.


[escrito em 11/04/06]

sum?

Ergo sum
logo sou. o que?
Se no princípio não era
o verbo,
e sim a ação.
Cogito
penso ou ajo?
verbalizar é dar som
aos pensamentos.
Se penso, sou?
Muito do que penso,
não digo.
Não posso dizer tudo
ao mesmo tempo.
logo:
muitas vezes não sou

reflexões fáustico-cartesianas

25/04/2006

limites



há algo mais forte sobre nossas cabeças
mais intenso diante de nossos olhos.

não sabemos sentir pequeno. tudo é imensidão e infinitude
(no possível de sua efemeridade)

as capacidades estão mais além. outro departamento sensível.

[imagem - C. Monet]

03/04/2006

estranhamente familiar


um grito mudo (ou surdo?) dentro de mim

a voz calada. impedimento pelo temor

aterrorizada pelo som estranho
da própria fala

unheimlich

tão perto e tão longe, tudo ao mesmo tempo.

[imagem - Hundertwasser]

27/03/2006


jackson pollock

muda

desnorteada

saída do nada. Nada a declarar.

Melhor o silêncio, se as palavras forem más.

Sem palavras, não palavras.

O inverso da fala. Falo? Me calo.

devaneios acordados

31/01/2006

na ilha


entorno de distrações
dispersas, desperta a todo momento

deixar pender para o lado
quando ultrapassa limites de clareza
a vista cega aos poucos, invisivelmente

música melhora os humores
(ainda que soframos do estômago e de uma estranha e inevitável consciência)
fantasma indesejados
insistem na sua vigilante permanência

imagem: Matisse "La musique"

23/01/2006



mais fruição e menos cagação de regras: lema para o ano!

invasao


sentimentos e sentidos recolhidos
numa noite calorenta na paulicéia aterrorizada

roubam-nos a vontade de viver
e, ainda assim, agradecemos pelo corpo intacto

violência, teu nome é São Paulo.
violência, vens em formas veladas e explícitas
violência, natural dos homens (sobretudo machos)

09/01/2006


em são paulo a vida volta ao normal
rotina, cotidiano, cinza. Hoje nem tanto, há sol e um pouco de azul no céu (raro).
Mas nada se compara à Busca Vida.
Pensar se a vida não deveria deslocar-se para lá.
o ano, porém, começa a engrenar. Trabalho, pensamentos, projetos...
dúvidas, incertezas e sono. muito sono, acumulado de anos insones.
na cabeceira: a infelicidade da mulher russa.

imagem: Egon Schiele. "mulher sentada"

em busca da vida




se existe paraíso na terra...

pensamentos em vigília
corpo em repouso
alma curada

paisagem para os olhos
que não cansa
vira o ano, renova o ser

05/01/2006

2006

para o vindouro ano

08/11/2005

antes de dormir


é mais forte
ir até o último momento
antes de dormir

alguma doença talvez
que faça despertar ao anoitecer

o cansaço é tamanho,
que impede mesmo o sono

queria sonhar por uma semana noite a dentro


foto Henri Cartier-Bresson

apenas

just to let it go
he went and gave no thinking

he cried. and yet he tried.
and nothing was there. Still.

Silently he closed his eyes
not a glance
not at me

Just a thin light
don't know where

30/10/2005

com dor


Deixar a paisagem
para entrar no cinza.
Não há horizonte
na cidade de fluxos.

O ar fica para trás.
Aqui já não existe,
não pode ser.
As horas se ocupam
num moto-contínuo.
De nós mesmos
resta pouco.

24/10/2005

ballet



se soubesse dançar as palavras,
tocá-las com a ponta dos pés,
seria bailarina sem fim.

Até encostar o calcanhar no queixo,
dobrar a coluna do verbo.
Rodopios em sintaxes.

A silhueta das palavras
conforme sons da Rússia.
Dentre cisnes e nozes,
formar um poema.

24 de outubro 2005

08/10/2005

velho e a cadeira




foto: thomas bussius


homem paira na calçada. tempo suspenso, nas minas gerais.

07/10/2005

01/09/2005

céu marajoara



céu de julho. na paisagem do Marajó. mar de bubalinos.

31/08/2005

melancolia do abandono




Schiele. artista do corpo cru

enigma da via pela metade




De Chirico
cavalga a tempestade.

ignora seus compromissos e responsabilidades. Pensa mesmo ser livre, mas se engana.

vagueia, trêmula, pelas ruas úmidas de uma cidade sem sentido.

por lentes de acrílico, ensebadas. Nunca consigo ver transparente. uma vida enevoada.

10

para mim: 10 horas. 22, intermináveis horas.

prata, cinza. mumificado. congelado, cingido.

fingimento de consolação.

29/08/2005

tarde

é tarde e meu útero dói bastante agora. (histeria?)
estranho sentir algo de dentro, algo que nunca se percebe e de repente torna-se um incômodo.
não sei para onde caminho quando acordo.
não sei para onde irá a vida, não sei.
pé ante pé, dou passos miúdos.
mas talvez,

"onde quer que o homem pise, ele pisa cem caminhos"

suspenso

Como se a vida não me pertencesse.
Não surgem palavras apropriadas
Falta de expressão, falta a expressão
de tantas impressões.
A vida não me pertence nesta hora.
Meu corpo não é meu,
minha vontade não sabe ser.
Meus olhos são insuficientes
para dizerem minha alma...
Mas me faltam as palavras.
E não há perguntas,
quando se sabe a dificuldade da resposta.
Mais fácil não falar: não se responde o que não se pergunta.

07/08/2005

the fool on the hill

Vê o sol se por.
Vê o tempo passar, sem ao menos se dar conta disso.
Vê a vida chegar, sem que ele a tenha desejado.
Sente o desejo lhe escorrer por entre os dedos, passarem pelos seus olhos.
Ao fundo, onde não podemos enxergar, a linha tênue do horizonte.
Tão difícil.
E talvez... Talvez tudo volte ao mesmo tempo. Podemos considerar, você poderia... poderia?
Voltar para mim, para casa. A casa que você não conhece, não conheceu. A casa que não foi. Sem portas e sem paredes,
sem chão, sem apoio. Não há onde tocar. Construída no vazio. Linhas para os leões.
Essa noite, eu quero falar. Eu preciso falar. Vou explodir.
Solidão, hoje sim. Tão só, tão só. E no meio de tanta gente.
Eu não sei falar o meu coração. E fico só... Eu e a melancolia. (disso estou certa)

tensao

Antes de começar uma fase que não será fácil. Para ninguém, acredito.
Antes de decidir importantes rumos para a vida, antes de dividir algo maior. Mais complexo, mais trabalhoso.
Antes de arcar com algumas consequências complicadas, vindas da novidade.
Novo em casa? Casa nova?
Vida que não é nossa, nem minha ainda. Vida à 6, à 7... à 2?
Antes de cair no olho do furacão dá vontade de chorar. E sair correndo, fugir correndo.
Vontade de escapar e não olhar de frente.

20/07/2005

rugas

rugas e rusgas
preocupações quando empacamos
ficamos presos, presas de nós mesmos
temperaturas menores, diminuem a dinâmica
e a vontade.
duro seguir adiante, quando o interesse... veja bem
vencer este empecílio terrível
agora ou nunca
tem de ser agora.

05/07/2005

Pablo Picasso - "Uma obra de arte"

"Uma obra de arte deve levar um homem a reagir, sentir sua força, começar a criar também, mesmo que só na imaginação.
Ele tem de ser agarrado pelo pescoço e sacudido; é preciso torná-lo consciente do mundo em que vive, e, para isso, primeiro ele precisa ser arrancado deste mundo
."

J. L. Borges - "O escritor"

"O escritor vive.
Ninguém é escritor das oito ao meio-dia e das duas às seis.
Quem é poeta é poeta sempre, e se vê continuamente assaltado pela poesia.
Assim como o pintor é assediado pelas cores e pelas formas, assim como o músico se sente procurado pelo estranho mundo dos sons (o mundo mais estranho das artes), o escritor deve pensar que tudo é argila, com que fará da miserável circunstância de nossa vida alguma coisa que possa aspirar à eternidade."

16/06/2005

mundo pequeno

coisa mais maluca ouvir uma estação de rádio alemã em São Paulo...

O mundo encolheu mesmo...

08/06/2005

difuso sentir

Quando, por alguns instantes, tem-se pouca alegria de viver. Não que não se queira viver, absolutamente, mas que tenhamos menos vontade de...

Tão longe, milhares de quilômetros de distância... Mas distante de onde?

Quando é difícil achar um lugar para si no mundo.

"que todo grande amor só é bem grande se for triste" (Vinicius)

Em todos os sentidos de amar e querer bem. é sempre um pouco triste, sempre um pouco dor, um pouco morte...

Música enche nosso ser de sentimentos, mesmo que estes sejam tão confusos e difusos, incertos e instáveis. Um misto de melancolia, tristeza e euforia para escrever. Tarefa tão complexa e dura de ser cumprida, se quisermos fazer algo que preste (minimamente).

restos

Pouco restou
das horas em branco
em claros panos,
planos caros.

Pouco restou,
palavras curtas,
jogadas na despedida.
um certo abandono

Pouco restou,
corpo estirado,
suor adormecido,
odor da noite.

30/05/2005

conformes

novas conformaçoes das páginas

25/05/2005

Letras desconexas

Letras desconexas povoam meu quarto frio
A luz fraca mal ilumina
muito menos meus pensamentos
Perdidos, vagos, entristecidos

"it's love that makes me treat you the way I do... gee baby, ain't I good to you?"


Acho que fico muito feliz quando alguém lê essas coisas aqui.

A umidade nos pés não deve fazer muito bem, muito menos para a alma.

"speak low, when you speak love..." "love is a spark, lost in the dark, too soon, too soon..."

e chove, e chove, e chove...

Para os dias de melancolia, nada melhor que Chet Baker e Billie Holiday nos ouvidos.

Mas a pergunta "tostines" é inevitável: ficamos melancólicos porque ouvimos música triste ou é a música triste que nos deixa melancólicos?

Adicione chuva e frio ao estado melancólico. E um filme deprê. Nada pode ser mais eficaz.

Hum, agora gostaria de ir a um bar que tocasse um jazz bem baixinho, onde beberíamos um vinho gostoso, naquele ambiente enevoado, e conversaríamos sobre as coisas da vida.

"but don't change your hair for me, not if you care for me. Stay little Valentine, stay... with you each day is Valentine's day"

14/04/2005

se dois, se juntos?

neste dia 14. A alma está apertada, os ombros caídos e o pescoço curvo.
Mais curva estou, à cada dia
Entrevada, com um osso saltado na coluna. Uma postura ruim. Torta.
Na rede, a ver o mar. Em preto e branco (retrato em branco e preto).
Nem alongar nem flexionar. Músculos imprestáveis, recobertos de camadas horrorosas de gordura.

..... Ce soir, je ne suis pas heureuse. Et pas jolie encore..........

Fracassos. Seguidos, repetidos. Sensação impotente. Sem desejo, nada existe. Se não desejamos, se não nos desejam já não somos. Eu não sou.

Não vou, que eu não sou ninguem de ir.... a tristeza de um amor (eine traurige Liebe)

Mas que bela e grande merda! Viva!

Vinicius de Moraes

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

07/04/2005

autores


Cortazar

Naipaul

Sebald

Böll

04/04/2005

22 se aproximam

Já estamos em 4 de abril. Mais 8 dias, e ficarei 1 ano mais velha. Ave, 22... Nem imaginava o que seria de mim em 2005, aos 22 anos. Nada muito fácil de compreender. De aniversário, eu gostaria de encontrar algum caminho (rumo a algo mais específico).

Livres para sermos o que quisermos

Livre, no sentido de nao ter de dar satisfaçoes a ninguem de sua vida, de seu futuro, de seus planos ou não planos.

Liberdade para dizermos: não faço a menor idéia do que farei da minha vida no futuro. Nao sei onde estarei no fim do ano, nao sei o que farei no final do mês, nem mesmo sei o que farei amanhã, e para mim isso basta!

29/03/2005

necessidade

A necessidade iminente de um abraço é tamanha, por vezes, que faz doer o estômago.

Estamos pequeninos, caramujos: úmidos e mofados dentro da solidão. Aquela terrível casca que nos oprime e reprime.

Uma sensação gelada. Tremor dolorido. É preciso um colo. E braços ao nosso redor.

Se a mão vem e nos acaricia os cabelos, cerramos os olhos num torpor de felicidade que só o contato humano permite.

alegria de existir?

Existe assim.
Passa pequenina pela vida,
de poucos passos,
poucas palavras.
Passa de mansinho e
com o olhar ligeiro
arruma cúmplices para si.
Risos e um piscar,
por um colo acolhedor.

Do livro do Desassossego

Pessoa:

"O coração, se pudesse pensar, pararia."

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."

27/03/2005

night and day

o almoço se inicia às 13 horas. São 18:17. Muitos ainda estão por aqui. Não é apenas a comida que reúne. E sim a casa que acolhe, que chama, que compartilha. Bocas sedentas chegam e se saciam rapidamente. Acalmados os nervos, vem o estado de dormência. E o álcool embala as conversas desencontradaa. Todos precisam falar de si mesmos, e encontram pequenas (ou maiores) brechas nessas ocasiões em que se tem um grande público, que não costuma incomodar-se em ouvir. De repente, já é noite.

ueba!! fotosssss

finalmente, temos imagens!!!!

almoço

mais uma vez estou com os pés gelados.

e a melancolia de Chet Baker me acompanha nessa tarde cinza e triste de domingo de páscoa. Gostaria de estar mais feliz hoje, mas não estou.

Se ao menos eu soubesse como fazer para não ficar tão dividida. Creio que seja esta a parte mais árdua.

Em muitos momentos, fico com o saco muito cheio.

14/03/2005

na cidade, mais uma vez

agora, vou tentar de novo...

de volta à cinzenta e calorenta São Paulo. Depois de um tempo distante, senti tanta falta de tudo isso aqui. Mas agora que voltei, estou como o cego no tiroteio. A vida chegou, é preciso encará-la. (?) Mas como se encara a vida? Aos quase 22 anos de idade... Ainda é muito recente. Muito recente a vida.

Acabei o ano passado esborrachada no final da ladeira abaixo. Foram tantas coisas de uma vez só. Eu não quero isso de novo. Não agora. Mas fica aquela maldita culpa cristã, as responsabilidades! Vamos rapidamente ganhar um monte de dinheiro para ficarmos com a vida bem tranquila daqui para frente... Mas eu só queria estudar, agora, e não me sentir mal por isso.

vou tentar pela terceira vez

bosta de computador, essa vai ser minha terceira tentativa de escrever.

09/12/2004

jornalista?

E agora? O que virá depois?

Acabou a faculdade de jornalismo. Devemos nos sentir jornalistas? Eu ainda não consigo perceber isso...

A maior alegria dos últimos tempos foi o livro. Não imaginava que seria tão bom. "Deste lado" foi algo incrível, que nos sensibilizou.

A vida não pode deixar de ter poesia, de ter ficcção, de ter literatura. Morremos por dentro sem essas coisas essenciais. É muito vazio viver para apenas ganhar dinheiro, não importando o que se tenha que fazer para chegar lá. deixa as pessoas tão vazias....

Enfim! Estou feliz, e hoje é a colação de grau!

Inté

07/09/2004

círculo dos ressentimentos

passa a dor sozinha.
dói aguda,
contida e ferina.
uma gota de sangue,
num pingo de afeto
colore a angústia.
Faz a melancolia ficar bela.

20/08/2004

quero mais não

moscas voam rasteiras
pela cidade suja
estamos cansados
de tanta coisa ao mesmo tempo.
Não quero mais São Paulo,
quero mais não

11/08/2004

TCC

Pela minha sanidade... Por que diabos foram inventar esse tipo de coisa?

Um tormento constante nessa vida já tensa

Enfim!

Uau! enfim uma primeira manifestação... anônima!

fiquei lisongeada em saber que alguém passa por aqui de vez em quando. eu mesma estive ausente por um longo tempo... mas gostaria muito de escrever com maior freqüência.

depois desta sexta respirarei mais aliviada!

e talvez terei alguma inspiração...

15/06/2004

Orkut

meu Deus!!

é um vício!!

Quem poderá nos salvar da Internet?

14/06/2004

ânimo

O ânimo, tantas vezes,
fica lá bem quieto,
Nos fundilhos da alma.
Até a cutucada,
ligeira e abrupta
tirar seu sossego.
Santa rasteira!

Rosas

Rosas vermelhas
Violetas azuis
Se despreza
Se deduz
O cheiro, a cor
Falsos
Pano com plástico
gotas de silicone

21/05/2004

Olhares caídos

Os olhos perscrutam o seu redor.
Pousam suas sombras
Naquilo que é encanto.
Obra encantada,
Toda inacabada.
Não devo dize-la,
Não posso tê-la.
Apenas um eterno contemplar
Do inatingível:
Todo o meu desejo.

(escrito em 15/04/03)

é tarde e passa de meia noite

para constar, que de quando em vez, lembro-me desta página e venho visitá-la, para que não fique esquecida...

09/05/2004

dedos gelados

é frio e quase inverno,
no quase possível dessa cidade.
tempo para chás e cobertas,
curar carências de afeto.
Nada fazer sobre o sofá.
esquentar os pés,
quando os dedos estiverem gelados.

flores

dias passam como pérolas roladas entre campos de lírios, entre gérberas plantadas em vasos de barro e grama molhada.
escorrem as gotas d'água nas folhas verdes do girassol caído. Seco, sem sol. Ele olha para baixo sempre. Coitado. Chateado.
O coito foi interrompido. O chato incomoda para cacete (sic)
Os chatos enchem o saco nosso de cada dia, na casa nossa, na dor nossa, no horror nosso de cada dia................. e uso reticências sem fim, até que elas possam machucar. aí, vou parar.
bronca, não quero esporros. são terríveirs pesadelos.
Datilografar sem olhar para os dedos no teclado. está ficando melhor, sabia? é bem interessante .

06/05/2004

a vida secreta dos homens. A vida escondida das pessoas. aquilo que se faz e não se conta para ninguém. secreto, oculto nos fundilhos da alma.

Vergonha, vergonha. por que este sentimento?

long time, no seeing

tantos dias sem passear por aqui. o tempo cada vez mais curto acaba empatando a criação. ainda que ela não seja grande coisa, mas temos que contiuar tentando. Enfim...